Na nossa alimentação deverá haver espaço para tudo. Para refeições sem carne e sem peixe, para dias de fast food caseiro, dias em que apetece comer uma grande fatia de bolo ou uma sobremesa “de gordas”. Há dias em que provavelmente teremos uma alimentação mais cuidada, dias em que não falta a sopa, dias de peixe grelhado, saladas e muita fruta. No geral acho que importa sabermos comer de forma equilibrada e de tudo um pouco.
Mas acho que nos dias que correm estamos a entrar num certo exagero. Parece que agora o “saudável” não é uma alimentação equilibrada e com tudo um pouco, mas abrirmos guerra ao açúcar, aos lacticínios, ao glúten, aos ovos. Já não basta haver quem realmente não os possa consumir por motivos de alergias e intolerâncias, assistimos também a uma “moda” de comer sem lacticínios, glúten, ovos, açúcar e montes de sementes e super alimentos vendendo a ideia como uma alimentação saudável. Será mesmo mais saudável que uma alimentação equilibrada? Devemos agora desistir todos do leite, da farinha de trigo, dos açúcares refinados, passarmos a consumir suplementos e alimentos mais alternativos em exclusivo (como as bebidas de aveia, amêndoas, óleo de coco, frutos secos, sementes, wheatgrass, maca, cacau cru, …) para termos uma alimentação saudável?
Confesso que não consigo perceber muito bem porquê. Gosto muito de papas de aveia com leite de amêndoa, e de substituir o açúcar refinado de algumas receitas por outras alternativas como o maple syrup e o mel. Experimentei receitas com óleo de coco e cacau cru. Mas mais pela curiosidade de testar esses alimentos do que propriamente por achar que ia passar a substitui-los na minha alimentação.
Claro que é interessante que existam blogues e autores dedicados a essa área. É interessante que haja diversidade e acredito, que para quem é intolerante a certos alimentos, veio trazer uma diversidade que não existia. Mas será a versão de que “isto é que é saudável” a mais correta? Além de serem na sua maioria mais caros, estes alimentos nem sempre são tão saudáveis como se querem vender - e existem inúmeros estudos que provam isso mesmo.
Ter uma alimentação mais “alternativa” é sim um modo de vida. E como tal deve ser respeitado, publicitado e partilhado. Só me faz um bocadinho de confusão impor-se todas estas alternativas como sendo as “saudáveis”.
No final, acho que é tudo uma questão de moda. E quando se fartarem dos sumos detox, dos batidos verde, de comerem sem glúten e sem laticínios e sem açúcar, sentirem a falta de um bom ovo estrelado, e perceberem que afinal a chia é uma semente como outra qualquer e o óleo de coco é um óleo extraído a frio assim como o azeite, pode ser que voltem finalmente a comer sopa todos os dias e fruta a todas as refeições e um pastelinho de nata com o café de domingo de manhã.
1 cebola
2 dentes de alho
1 pedacinho de raiz de gengibre
1 folha de louro
1 colher de chá de garam masala
1 colher de chá de coentros em pó
1 colher de chá de curcuma
2 tomates pelados
piri-piri a gosto
sal e pimenta q.b.
2 colheres de sopa de óleo vegetal ou manteiga
125ml de leite de coco
1 molhinho de coentros frescos
Deixe começar a fritar e acrescente as especiarias e o piri-piri moído a gosto e mexa bem durante alguns minutos para que estas libertem todas as suas fragrâncias e cozinhem.
Acrescente depois o tomate partido em pequenos pedaços e envolva no refogado. Junte as lentilhas previamente demolhadas e bem escorridas e tempere com um pouco de sal e pimenta. Junte o leite de coco e deixe levantar fervura. Tape o tacho e deixe cozinhar cerca de 20 minutos, ou até as lentilhas estarem macios, com o tacho tapado e em lume brando. Se necessário acrescente um pouco de água se achar que a mistura está ficar muito seca.
Para servir junte um pouco de iogurte grego e polvilhe com os coentros frescos picados. Poderá ainda juntar alguns ovos para escalfar na mistura.
Sirva com arroz basmati soltinho.
Bom Apetite!



0 Comments